Edição Número 0 – Maio de 2015
Opinião de Pedro Branco – Juventude como pilar de sustentabilidade e desenvolvimento da nossa vila
Começo este texto por enaltecer a iniciativa do David Branco em impulsionar esta plataforma “Ecos de Alcanhões” e por consequência me ter convidado a pontualmente escrever sobre algum tema ou emitir alguma opinião, certo de que não sou mais do que um cidadão atento e disponível para em conjunto com os demais elevar o nível social e comunitário da nossa vila.
Na última década, experimentámos um Mundo cada vez mais global, com mudanças cada vez mais profundas e aceleradas, e tem sido recorrente a nível geral questionar-nos sobre qual o papel social que estará reservado para os jovens. Decidi levantar este tema, por encontrar motivos suficientes para acreditar que a nossa juventude, a juventude de Alcanhões tem o que é preciso para, enaltecendo o trabalho de outras gerações até então, poder garantir a sustentabilidade e desenvolvimento da nossa terra.
Temos hoje em Alcanhões, embora sem dados concretos, o maior contingente jovem que me lembro de conhecer nas idades entre os 13 e os 17. Devemos, na minha modesta opinião, olhar para esta gente, como impulsionadores de mudanças positivas e renovação de ideias. Digam-me lá, não o devemos aproveitar, em benefício da nossa terra?
Alcanhões sempre foi uma vila dinâmica, com pessoas pró-ativas e com iniciativa, capazes de levantar projetos e fazer crescer sonhos. É precisamente dessa renovação que falo, precisamos orientar os nossos jovens para esses caminhos. Seja no associativismo local, onde já dão cartas hoje, ou mesmo na política local, devemos cada vez mais integrar os jovens e ouvir as suas opiniões, para garantir numa primeira instância que não se perdem os valores que mencionei, bem como se renovam e renascem novos ou velhos projetos e sonhos.
Nos tempos que correm, neste Mundo cada vez mais “desligado” dos valores com que crescemos, colocar os jovens no centro do desenvolvimento, é factor estratégico e essencial para que se possa apostar em sociedades mais justas, que favoreçam a participação cidadã e democrática, a fim de garantir uma maior equidade e igualdade de oportunidades para todos.
Deste modo, para finalizar, que já vai longo este meu primeiro texto, espero que se possibilite cada vez mais a inclusão social dos jovens e se garanta também o favorável diálogo intergeracional, que trará com certeza novas ideias e novos rumos a Alcanhões!
Viva a Juventude!!
Pedro Rui Branco
Opinião de Gustavo Ferra
Falar de Alcanhões é falar de história, é falar da vida, é falar de mim. Nasci, cresci, e vivo. Viverei. Não sou dos de fugir, não acredito que o sucesso mora longe. É possível criar aqui, tenho fé que aqui se consegue algo de bom. Afinal a história, a minha história, tem muito de bom, e muito daqui. Resta procurar. Achar não pode ser assim tão difícil, afinal conheço-lhe todos os cantos.
Quantas horas naquele ringue? Quantas campainhas tocadas, para depois sair a correr com os amigos? Pensando bem, talvez não devesse mencionar isso… Oh, para o diabo, fizeram o mesmo. Horas a jogar às escondidas, apanhada, policia e ladrão, etc?
Os chapéus de papel, os barcos?
Porque é que nunca fixei como fazer aquilo? Quantos quilómetros naquela bicicleta? Qual Tour de França, experimentem o Casal Monteiro e vão ver o que é bom. Casal Monteiro que só não é de Alcanhões para quem nunca lá passou dias e dias.
Alcanhões é vida. E não posso ajudar a deixar morrer, o lugar que me deu a vida.
E se me virem por aí, relembrem-me de como se faz o chapéu de papel. Agradecido.
Gustavo Ferra
Opinião de Miguel Antunes
N365, km46 (Alcanhões)

Sabia algo das suas gentes, das suas memórias, das suas vidas. Sabia-a árabe, muçulmana e romana, as suas histórias de reis e rainhas, de conspiradores e comendadores, sabia das suas conquistas e dos seus distantes canhões…
Sabia-a fértil e produtiva nas longas e extensas planícies da lezíria, conhecia os seus cabeços, talhos e retalhos que me povoavam inevitavelmente. Mas desconhecia-a, desconhecia-a profundamente…
Amava a sua pobre e singular existência, a forma como todos os seus caminhos iam dar a lugares conhecidos, os dias de festas, as romarias e procissões, os encontros e reencontros.
De há muito nos conhecíamos…
Mas só comecei a conhecê-la melhor, quando juntos iniciámos o romance da sua – e da nossa – viagem. Conhecer e redescobri-la foi um acto doloroso, de longa e lenta persistência… de dúvida e permanência, de tempo e silêncio. Tempo para olhar, tempo para ver.
Foram assim, vinte e três anos de muitas e longas viagens. Talvez a distância ao lugar onde realmente habito, me dê a capacidade de a amar, na sua mais vulgar essência. De a saber sempre ali, acho-a minha e eu dela, irremediavelmente todos os fins-de-semana quando a visito.
Hoje sei que cada viagem se assume como única, diferente e surpreendente, por mais igual que seja. O momento de chegada, aquele que ingenuamente gosto de dizer como meu, é agora o momento do marco de cal e cimento do km46 da velhinha estrada N365. Um momento de paragem, de tempo e reencontro com este lugar, que há muito me conhecera, mas que talvez eu nunca o tivera conhecido como agora.
São lugares como este que vale a pena viver, conhecer e voltar a conhecer, olhar e voltar a encontrar. São lugares como este que devemos voltar a valorizar.
As histórias, memórias e o que as suas gentes nos têm para contar, enchem-nos e transportam-nos para uma outra e distante realidade. Esta é, pois, a magia que sinto de cada vez que, por entre o portão verde de ferro dos meus avós, oiço o som do cimento a roçar-lhe – e como é bom ouvi-lo! Sei que cheguei. Sei que, por fim, cheguei ao lugar onde pertenço, ao lugar onde sempre pertenci, e que agora também conheço. Sei que cheguei e que tenho todo um outro novo mundo à espera, por onde posso viajar e por onde posso passar a conhecer e a conhecer-me.
Esta é a história do nosso romance, o romance que tenho com este lugar.
O lugar onde cresci, onde aprendi, de onde parti e ao lugar onde, agora, quero voltar.
Miguel Antunes
Santarém, 16 de Maio de 2015, 03.50h
X Raid BTT Rota das Fontes
Dia 31 de maio é dia de btt em Alcanhões.
Esta é a “x rota das fontes”, um raid btt organizado pela APA – Associação Popular de Alcanhões.
Mais um ano esta prova conta com dois percursos de dificuldades diferentes, para agradar aos atletas de diferentes exigências.
Em 2015, e como em equipa vencedora não se mexe, a APA aposta na realização de um Passeio de 25 km e Raid de 45 km, apostando na qualidade de trilhos e do percurso.
O Passeio de 25 km é dirigido para quem já tem alguma experiência na prática do BTT e/ou ciclismo, para quem gosta de fazer passeios em terra batida, essencialmente para quem gosta de pedalar em sintonia com a natureza envolvente.
Apresenta dificuldade técnica e física média/alta com vertente competitiva, e haverá direito a entrega de prémios no final, para os três primeiros femininos e masculinos à geral, incentivando assim à prática desportiva, desfrutando a aproveitando os caminhos a percorrer e as paisagens da nossa terra e terras vizinhas. Terá uma altimetria de cerca de 300 metros.
Quanto ao Raid de 45 km, com características de uma maratona, este apresenta uma dificuldade técnica e física alta, sendo requerida uma preparação de nível elevado para que possa terminar em boas condições físicas e mentais. Em questões de altimetria, a variação é de cerca de 650 metros. Com uma vertente competitiva alta, serão premiados os três primeiros classificados à geral, masculinos e femininos.
Ambos os percursos são realizados em ambiente agradável, essencialmente em estradas de terra batida e single track’s, cruzando em alguns momentos estradas principais e secundárias, sempre com a máxima segurança garantida pela organização e pelas dezenas de voluntários, jovens da terra, que se juntam a este evento para apoiar a direção da APA.
Será certamente um evento a não perder.
Paralelamente à prova de BTT, a APA preparou outro evento – ‘Alcanhões em Movimento’.
Em 2015, esta organização, seguindo o exemplo dos anos anteriores, continua a alargar horizontes. E querendo que sejam cada vez mais pessoas a participarem neste evento desportivo da nossa vila, apresentamos mais uma novidade na comemoração dos 10 anos do RAID BTT “Rota das Fontes”.
Para além do já bem sucedido BTT Infantil e que conta com cada vez mais participantes para nosso orgulho, este ano a Associação Popular de Alcanhões vai promover um Passeio Pedestre.
Todos os dias ouvimos falar na cada vez maior necessidade de manter um estilo de vida saudável, prevenindo desta forma males maiores que advêm da sedentarização e da falta exercício regular. Que melhor forma de começar do que num passeio pedestre por caminhos, talvez desconhecidos para alguns, em perfeita sintonia com a natureza e respirando esse ar puro que Alcanhões ainda se pode orgulhar de poder oferecer aos habitantes da sua freguesia.
Este decorre também no dia 31 de Maio e o seu início será no Largo Glauco de Oliveira (largo do Arneiro), pelas 9h30.
Mais informações
Para mais informações sobre a prova, o passeio pedestre, classificações, valores e para realizar as inscrições, pode consultar o blogue criado para o efeito em http://rotadasfontes2015.blogspot.pt/
Na próxima edição da revista digital Ecos de Alcanhões iremos ter a reportagem fotográfica deste dia dedicado ao desporto e à natureza.
Opinião de Francisco Duarte
Alcanhões é a vila que guardo um carinho bastante especial. Foi aqui que nasci, foi aqui que fiz os meus primeiros amigos, foi aqui que conheci uma primeira cultura. Cultura essa que para conhecer é necessário conhecer a vila, ou então conhecer um de nós.
Nesta vila as pessoas são únicas, os costumes são ímpares e as histórias são infinitas, portanto seria inevitável ignorar esse facto. Nós, jovens criamos o futuro e para tal, foi necessário unir as nossas vontades, ideias e objectivos para podermos definir algo concreto como uma associação que represente, defenda e apoie os jovens da nossa maravilhosa vila.
Acredito na inovação e apoio novas ideias mas, é fundamental conservar o que é nosso, as casas, os campos as paisagens enfim, o que é de Alcanhões, nunca esquecendo as pessoas que marcaram esta vila. Contudo é importante, nesta terra de liberdade, o povo defender os princípios de Alcanhões, é importante as pessoas unirem-se e contribuírem para o desenvolvimento da vila e é muito importante ter a consciência que somos nós que fazemos Alcanhões, porque sozinhos vamos rápido mas, juntos vamos longe!
Francisco Duarte
Opinião de Jaime Cunha
O surgimento de um blogue, ou de uma conta do facebook com notícias de Alcanhões é motivo de satisfação e merece aplauso e saudação. Convidado a participar fiquei sem saber sobre o que escrever. Iniciativas destas remetem-me para a recordação de outro tempo em que, também levados pela necessidade da comunicação, nos envolvemos em iniciativas de aproximação escrita à população que, com maior ou menor sucesso, tiveram o seu papel e motivaram o empenho dos que se envolveram.
Em 1975, 12 de Setembro, na comemoração do primeiro aniversário da APA, inaugurou-se a biblioteca, dinamizada, construída e gerida por um grupo de jovens cujas idades mediavam os 18/ 20 anos. Nessa altura era “moda” fazer jornais de parede. Lá tinhamos o nosso. Recortes de jornais, resultados de provas desportivas, anuncios de actividades… preenchia-se uma parede e actualizava-se semanalmente. Mas era pouco. Era preciso comunicar para fora daquelas paredes. Apareceu o “PRESENTE”, jornal com um nome que muita discussão suscitou. Mas saíu. E fazê-lo? A APA nem máquina de escrever tinha! Então, era assim: À sexta-feira à tarde ia-se buscar a máquina da Casa do Povo. Durante o fim de semana batiam-se os textos em folhas de stencil. A máquina tinha que ser devolvida na segunda-feira antes da abertura dos serviços: o que houvesse para escrever tinha que ficar para a semana seguinte…
A impressão, em folhas A4, era feita no FAOJ – Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis (que seria mais tarde Instituto da Juventude). Se a impressora – uma rotativa para stencil – estivesse a funcionar a coisa corria bem, se não, havia que aguardar… E, de espera em espera, de obstáculo em obstáculo, lá saiam aquelas quatro folhas do “Presente”. Sairam cinco ou seis edições. Nada mau, para aquele tempo. “Presente” de um tempo que era o despontar da liberdade de fazer, de participar, de comunicar, de ser, de querer, de mudar. Com muita pena minha nunca mais consegui ver um exemplar que fosse. Quarenta anos depois clicamos numa tecla de computador e facilmente comunicamos. Ainda bem que podemos comunicar. Força, jovens deste tempo.
Jaime Cunha
Os vícios não têm honra
Os Vícios não têm honra é o mais recente livro do Alcanhoense António Mendes.
Uma hóstia psicoactiva de absolvição e redenção para os vícios. Psiconautas dos alucinogénios fazem-se à estrada num sniff virtual e numa base reinventada de tripps clonadas em pastilhas da juventude.
Este pode ser adquirido online no site da Chiado Editora, ou na Papelaria “A Galeria” em Alcanhões.
Escritor de Alcanhões, Jacinto Rego de Almeida lança novo livro no Brasil
O escritor português Jacinto Rego de Almeida lançou dia 26 de Março, em Brasília, o seu novo livro, “Paquita”, numa sessão no auditório do Centro Cultural Português, na Embaixada de Portugal no Brasil.
Rego de Almeida, que escreve romances, crónicas, contos e literatura de viagem, tem três livros publicados no Brasil e sete em Portugal, entre eles “O afiador de facas”, “Crime de Estado”, “Um olhar sobre o Brasil” e “A verdadeira história do bandido Maximiliano”.
Em “Paquita”, constrói a trajectória de Pedro Lamego, professor universitário de Sociologia, que escuta do vizinho, vendedor de automóveis, histórias ligadas ao meio marginal de Lisboa e arredores.
Todas essas histórias, entre assaltos a caixas multibanco, assassínios e tráfico de drogas, são protagonizadas por uma prostituta conhecida por Paquita, nome que a personagem de Pedro Lamego associa à coreografia do ‘ballet’ clássico do século XIX, composto por Ludwig Minkus. Lamego decide então investigar as informações do vizinho.
O escritor nasceu em 1942 em Alcanhões. Entre 1968 e 2004 viveu no estrangeiro – primeiro, como exilado e, após a queda da ditadura a 25 de Abril de 1974, como conselheiro económico da Embaixada de Portugal no Brasil.
Actualmente, Jacinto Rego de Almeida é colaborador permanente do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias.
Fonte: Correio do Ribatejo

